Programa

XI Congresso Docomomo Ibérico

Murcia, 15-17 de setembro de 2021

Arquitetura e Meio: o Mediterrâneo

Comité Científico: Andrés Cánovas Alcaraz, Miguel Centelles Soler, Carolina B. García Estévez, Carmen Martínez Arroyo, Maite Palomares Figueres, José Parra Martínez, Antonio Pizza de Nano

Sede do Congresso: Colegio Oficial de Arquitectos de Murcia

Organizado em conjunto pela Fundação DOCOMOMO Ibérico, o Colegio Oficial de Arquitectos de la Región de Murcia e a Consejería de Fomento e Infraestructuras da Comunidad Autónoma de la Región de Murcia, com a colaboração da Ordem dos Arquitectos de Portugal e Asemas.

O debate sobre o tema do Congresso giró em torno de três linhas propostas: “Projetos e obras arquitetónicas vinculadas por situação e forma com o mediterrânico,Projetos e obras arquitetónicas vinculadas por características com o mediterrânico, situadas fora do âmbito do mesmo“, e ” Reinterpretação moderna de sistemas espaciais e/ou construtivos vernáculos.

Accesso na web del Congreso

Enunciado do Congresso

A abordagem fenomenológica em relação à arquitetura popular significou, em meados dos anos 30, uma perspetiva inovadora que se posiciona face ao Movimento Moderno, reivindicando o valor físico e social do que foi construído. A partir do contexto internacional do C.I.A.M – Congresso Internacional de Arquitetura Moderna – reivindicou-se a validade do tradicional heterogéneo face a qualquer tipo de homogeneidade disciplinar.

A releitura do pré-existente valorizou a herança da atividade construtora contínua no tempo, conformando um corpo teórico no qual as características construtivas e tipológicas mediterrânicas multiplicaram a sua influência no campo arquitetónico europeu. Arquitetos espanhóis, em contacto com esse contexto internacional, fizeram parte, juntamente com europeus, do impulso reivindicador da sabedoria da arquitetura popular mediterrânica e vernácula.

Um dos pontos de inflexão deste novo olhar face ao construído anónimo está no IV Congresso do C.I.A.M. que ocorreu a bordo do navio “Patris II”, numa travessia de Marselha a Atenas no verão de 1933.

Os lugares contemplados naquela viagem pelo Mediterrâneo foram, sem querer, o catalisador para uma releitura dos sistemas arquitetónicos tradicionais, o que significou uma mudança de rumo em relação aos axiomas modernos estabelecidos até ao momento. Iniciou-se uma vertente inexplorada ao destacar o que se tinha aprendido com as constantes da arquitetura mediterrânica popular. A ideia era afastar-se em forma e fundo dos postulados mais tecnicistas da arquitetura moderna do Norte, que, segundo Le Corbusier, nos tinham feito esquecer o lirismo acertado da boa construção mediterrânica que combinava técnica e forma.

Os próprios representantes espanhóis naquele congresso – José Luis Sert, José Torres Clavé e Ricardo Ribas – reconheciam o papel protagonista das visões do Sul na revista AC “…os elementos dos grupos latinos têm mais importância neste congresso do que nos anteriores; estamos quase em maioria e navegamos pelo Mediterrâneo. Isto explica muitas diferenças entre o IV Congresso e os anteriores…”. E também eles, no artigo Raíces Mediterráneas de la Arquitectura Moderna, relatam a sua descoberta: “A arquitetura moderna, tecnicamente, é, em grande parte, uma descoberta dos países nórdicos, mas espiritualmente é a arquitetura mediterrânica sem estilo que influencia esta nova arquitetura. A arquitetura moderna é um regresso às formas puras tradicionais do Mediterrâneo. É mais uma vitória do mar latino!”

Uma posterior evolução da arquitetura moderna, também em correntes, tanto teóricas como práticas, ligadas ao lugar, como, por exemplo, as vertentes organicistas e toda a revisão da linguagem ortodoxamente moderna que ocorreu a partir dos anos 50 com novos conceitos de habitat, põe em evidência e aprofunda a ideia da relação das condições contextuais na produção arquitetónica.

É neste enquadramento teórico e prático que se introduz a temática do Congresso, com a intenção de divulgar investigações que abordem o particular desenvolvimento da arquitetura moderna em Espanha, sob a análise da sua vinculação com o meio.

 Objetivos

Com o objetivo principal de abordar os diversos e muito diferentes aspetos que fazem da arquitetura moderna espanhola um paradigma de relação com a arquitetura popular mediterrânica, propõe-se alcançar uma série de objetivos concretos, tais como:

– Verificar através de uma visão contemporânea da arquitetura o distanciamento da mesma dos modelos internacionais de carácter autónomo e independente do meio de inserção, atendendo à recuperação dos valores do lugar.

– Conseguir uma catalogação dos sistemas materiais e espaciais modernos resultado da reinterpretação dos valores tradicionais da arquitetura do lugar.

– Realizar uma valorização da continuidade e concatenação de feitos arquitetónicos que permitem construir uma linguagem moderna baseada numa paulatina transformação dos sistemas históricos. A arquitetura moderna como espaço contínuo na releitura da História.

– Realizar uma leitura do lugar para conseguir implementar uma maior compreensão do mesmo, ampliando o conceito patrimonial arquitetónico vinculando, a sociedade de um território e o seu contexto.

– Catalisar a sensibilização para o que é autóctone que define a memória coletiva da sociedade e que, portanto, tem capacidade para construir um legado para gerações futuras.

– Divulgar os resultados das investigações como contributo para o conceito de património cultural.

– Recuperar os valores intrínsecos do lugar como forma de fazer e projetar o futuro, cimentado na atualização e contemporização da tradição.

Comité de Honor

Francisco Javier Martín Ramiro, Director General de Arquitectura, Vivienda y Suelo

Román Fernández-Baca Casares, Director General de Bellas Artes

José Manuel Pedreirinho, Presidente de la Ordem dos Arquitectos Portugal

Lluís Comerón Graupera,Presidente del Consejo Superior de los Colegios de Arquitectos de España (CSCAE)

Comité Organizador

Maria José Peñalver Sánchez,Decana del Colegio Oficial de Arquitecto de Murcia (COAMU)

Celestino García Braña, Presidente de la Fundación DOCOMOMO Ibérico

José Manuel Pedreirinho, Presidente de la Ordem dos Arquitectos Portugal

Susana Landrove Bossut,Directora de la Fundación DOCOMOMO Ibérico